15/02/2017

Review | Dama da Meia Noite

Não sei o que exigiu mais coragem: começar a ler esse livro ou começar essa resenha.

Cassandra Clare | 554 Páginas | Editora Galera Record

Antes de começar a falar sobre Dama da Meia Noite, acredito que seja interessante explicar o contexto da saga: Cassandra Clare é autora de ficção que envolve caçadores de sombras, seres mágicos e humanos. Sobre esse universo, existem três séries:
 Instrumentos Mortais: primeira saga lançada, cuja história se passa em uma contemporânea Nova Iorque e apresenta todo o universo de caçadores e seres do submundo;
 As Peças Infernais: Se passa décadas antes que Instrumentos em uma Londres Vitoriana;
• Os Artifícios das Trevas: Dama da Meia noite está aqui, se passando cinco anos após a primeira série, em Los Angeles.

Agora podemos seguir corre que ainda dá tempo


   Após cinco anos do fim da Guerra Maligna, treta que ocorreu em Instrumentos Mortais, mortes começam a se espalhar pela ensolarada Los Angeles, cujos corpos são marcados com uma língua demoníaca indecifrável e sob circunstâncias que levam a crer que algum ritual proibido esteja sendo executado. E são esses fatores que conectam caçadores de sombras, fadas e mundanos, juntos em investigações e relações proibidas. Afinal, parece que proibido é regra desta história.
   Só pela explicação necessária no começo do post, entende-se que essa não é uma história cuja leitura independa do conhecimento das duas outras séries. Uma das coisas que mais me preocupou ao ver Dama da Meia Noite foi a quantidade de páginas. Mais de quinhentas páginas em um primeiro volume foi algo exagerado, o que me faz pensar que nossa querida Cassandra está perdendo a noção de quando parar.

Sed lex, Dura lex
A lei é dura, mas é a lei
Lex malla, lex nulla 
Uma lei ruim não é uma lei

   Emma, uma das protagonistas da trama é uma personagem sarcástica, corajosa e ligeiramente imprudente. Orfã durante a Guerra Maligna, a garota dedica sua vida a investigar as circunstâncias duvidosas que levaram a morte de seus pais. Já Julian, o contido e cauteloso menino Blackthorn, apenas deseja manter sua família saudável e unida, mas vê sua teia de controle e segredos se romper ao longo da história. Ambos são unidos pelo laço parabatai¹, o que os torna guerreiros íntimos e inseparáveis de uma forma que, desde o início da trama, você percebe ser mais do que deveria ser.  E acredito que seja aí que a coisa desanda. 

Mapa dos arredores do Instituto de Los Angeles.
A questão de amores proibidos no universo dos caçadores de sombras da Cassandra é algo que já foi usado nas sequências anteriores e ficou passado. Se tirássemos todas as cenas onde Julian e Emma descrevem seus sentimentos reprimidos ou que exclamam quando o outro é maravilhoso/lindo/deusaloucafeiticeira, enxugaríamos umas cem páginas facilmente. Fiquei decepcionada com a forma com que a autora "reciclou" a mesma fórmula de romance das outras histórias para prosseguir com esta.

  Mas antes que as pessoas comecem a fazer origami com as páginas desse livro, devo relevar seus pontos positivos. É inegável a boa estruturação de A Dama da Meia Noite, a forma como a autora amarra bem as pontas e a forma como a história bebe da rica fonte de cultura dos Caçadores de Sombras.

  O humor ácido e sarcástico típico dos caçadores também está de volta, o que ameniza muitas das cenas do livro. Os personagens, apesar de muitos, são bem desenvolvidos e com características próprias- principalmente os irmãos Blackthorn, cujas características são fortes e contrastantes.  Cassandra também ganha mais uma vez por conseguir criar boas cenas de tensão e de batalhas, além dar bons plot twists durante a leitura.

Personagens de Os Artifícios das Trevas, por Cassandra Jean

Por fim, considero Dama da Meia Noite um livro mediano. É boa a sensação de voltar a estar no universo mágico de Caçadores de Sombras e divertido reconhecer as diversas referências e conexões às séries anteriores, mas ainda assim todos os fatores negativos já citados pesam durante a leitura. Este um daqueles livros realmente para os fãs e para aqueles que querem saber o que acontece depois do final feliz de Instrumentos Mortais.


¹ [ p.a.r.a.b.a.t.a.i ]: É uma relação vitalícia entre dois caçadores de sombras, fixada por um juramento e um ritual. Parabatais não apenas lutam juntos, mas dão a vida um pelo outro, sentem o que o outro sente, dão força e suporte para seu companheiro e ao fim da vida, são enterrados no mesmo lugar. A relação independe do sexo dos guerreiros, mas é terminantemente proibida a relação amorosa entre eles.
[adivinhem que é minha parabatai ⁀ᗢ⁀]


É isso galera, até a  próxima!
Beijos de arco íris (◡‿◡✿)


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